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Estou adorando o Ano da França no Brasil. Primeiro a exposição do Gainsboug no Sesc Paulista. Depois a exposição do Saint Laurent no CCBB do Rio (que infelizmente não virá para SP, alou CCBB!!!). Semana passada o delicioso show da Coralie Clemént no Sesc. E agora a exposição “Cuide de Você”, da artista plástica, performer e escritora francesa Sophie Calle, 55.

A obra, exibida na última Bienal de Veneza (2007), passou por Nova Iorque, Canadá,  França e chega ao Brasil no próximo dia 11, no Sesc Pompéia, onde permanece até o dia 07.09.  Tudo começou através de um rompimento. Sophie recebeu um email do seu amante, o escritor  francês Grégoire Bouillier, 49, em que ele termina o relacionamento. Por email. Foi então que ela decidiu convidar 107 mulheres, entre famosas e anônimas, para criar sua própria interpretação para a carta. O resultado são vídeos, textos e fotos de personagens como Miss Kittin, Victoria Abril, Jeanne Moreau, Laurie Anderson, além de sua própria mãe. A própria mãe, veja bem.

A FLIP fará o favor de colocar os dois frente a frente no próximo dia 04, em Parati. Gregoire vem ao Brasil para lançar seu novo livro “O Convidado Surpresa” e participa de mesa “Entre Quatro Paredes” ao lado da ex. Será o primeiro encontro dos dois desde o rompimento. Ele conta, em entrevista a Folha, sua reação ao saber do resultado de um inofensivo email particular. A Revista Marie Claire também publicou longa conversa com o autor. Vale a pena entender a versão masculina de episódio.

Calle, por sua vez, vem ao Brasil lançar ”Histórias Reais”, que ganhei hoje de presente do marido.

Abaixo, a íntegra do email fatídico, publicado na Revista Marie Claire de junho: 

“Há algum tempo, venho querendo lhe escrever e responder ao seu último email. Simultaneamente me pareceria melhor conversar com você e dizer o que tenho a dizer de viva voz. Mas pelo menos será por escrito. 

Como você pôde ver, não tenho estado bem ultimamente. É como se não me reconhecesse na minha própria existência. Uma espécie de angústia terrível, contra a qual não posso fazer grande coisa, senão seguir adiante para tentar superá-la, como sempre fiz. Quando nos conhecemos, você impôs uma condição: não ser a “quarta”.

Mantive o meu compromisso: há meses deixei de ver as outras, não achando obviamente um meio de vê-las, sem fazer de você uma delas. Achei que isso bastasse; achei que amar você e o seu amor seriam suficientes para que a angústia que me faz sempre querer buscar outros horizontes e me impede de ser tranquilo e, sem dúvida, simplesmente feliz e ”generoso”  se aquietasse com o seu contato e na certeza de que o amor que você tem por mim foi o mais benéfico para mim, o mais benéfico que jamais tive, você sabe disso.

Achei que a escrita seria um remédio, que meu desassossego se dissolveria nela para encontrar você. Mas não. Estou pior ainda; não tenho condições sequer de lhe explicar o estado em que me encontro. Então, esta semana, comecei a procurar as “outras”. E sei bem o que isso significa para mim e em que tipo de ciclo estou entrando. Jamais menti para você e não é agora que vou começar. Houve uma outra regra que você impôs no início de nossa história: no dia em que deixássemos de ser amantes, seria inconcebível para você me ver novamente. Você sabe que essa imposição me parece desastrosa, injusta (já que você ainda vê B., R., …) e compreensível (obviamente…); com isso, jamais poderia me tornar seu amigo. Mas hoje, você pode avaliar a importância da minha decisão, uma vez que estou disposto a me curvar diante da sua vontade, pois deixar de ver você, de falar com você, de apreender o seu olhar sobre as coisas e os seres e a doçura com a qual você me trata são coisas das quais sentirei uma saudade infinita. Aconteça o que acontecer saiba que nunca deixarei de amar você da maneira que sempre amei desde que nos conhecemos, e esse amor se estenderá em mim e, tenho certeza, jamais morrerá. Mas, hoje, seria a pior das farsas manter uma situação que você sabe tão bem quanto eu ter se tornado irremediável, mesmo com todo o amor que sentimos um pelo outro. E é justamente esse amor que me obriga a ser honesto com você mais uma vez, como última prova do que houve entre nós e permanecerá único.

Gostaria que tudo tivesse tomado um rumo diferente.

Cuide de você” 

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Aproveitando o momento kids, vou falar sobre a Aurelia. Esta francesa faz peças incríveis para crianças e seus pais. São bolsas para guardar brinquedos ou sair por aí com estampas maravilhosas, pequenas peças para a brincadeira da hora do chá, mini forminhas para fazer biscoitos e bolinhos com os pequenos e até um kit de jardinagem. Tudo com um ar francezinho super charmoso que resgata aquelas memórias afetivas que todos temos guardadas em algum lugar. Em seu blog dá para conhecer melhor o trabalho e se encantar com todas as opções.

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Muito já foi dito sobre Serge Gainsbourg.  Todo mundo quer falar um pouco sobre este iconoclasta francês, até eu, admito. Assunto inesgotável, as memórias deste personagem serão revisitadas muitas e muitas vezes. Compositor, intérprete, escritor, poeta, ator, diretor, cômico, gauche,  dono de um  nariz cheio de personalidade, orelhudo e  feio, mas charmoso, Gainsbourg faria 81 anos em abril deste ano.  Nascido Lucien Ginzburg, se transformou em Serge no final da década de 50. Por influência do pai pianista aprendeu a ler partituras e se familiarizou com o universo musical.  Em 58 gravou seu primeiro disco e iniciou uma carreira repleta de paixões fulminantes, uma sinceridade desconcertante e muito bom humor. Filho de judeus russos, conseguiu levar uma vida hedonista, com todos os excessos possíveis, sempre acompanhado de mulheres lindas. Uma de suas melhores cenas foi vista por todo o mundo, ao declarar para ninguém mais, ninguém menos que a atriz /cantora Whitney Houston (!!!!) um sonoro e desconcertante ” I want to fuck you”, em um programa da televisão francesa. 

Gainsbourg  é conhecido pelo hit ”Je T´aime, Moi non plus”, feito para uma Brigitte Bardot jovem, linda e amalucada,  no auge da carreira. Tão maluca que temeu a reação do público ao ouvi-la entoando os versos eternizados pelo duo de Gainsbourg com a inglesa Jane Birkin. Com ela, foi pai de Charlotte Gainsbourg, que levou recentemente a Palma de Ouro em Cannes ( melhor atriz) .

Além do hit, Gainsbourg gravou as deliciosas  ”Couleur Cafe”, “La Javanaise”, “Bonnie & Clyde”  e Le Poinçonneur des Lilas”, que tem no refrão o nome do simpático restaurante do Scandurra em São Paulo.

Aqui no Brasil as homenagens acontecem de tempos em tempos. A Editora Barracuda já lançou sua biografia, “Um Punhado de Gitanes”, de Sylvie Simmons. E hoje o Sesc abre a exposição “Gainsbourg, artista, cantor, poeta, etc”, em sua unidade da Av. Paulista, com curadoria de Frédéric Sanchez e co-realização da parisiense Cité de La Musique, que sediou a exposição até março passado. 

Acima, fotos da fachada da casa do próprio, em Paris, no número 5 da Rue de Verneuil, em um momento de tietagem explícita desta que voz escreve.  Reza a lenda que Gainsbourg pintou o interior da casa de preto, cuidava obsessivamente de todos os detalhes e detestava que alguém mudasse seus objetos de lugar. Tanto que sua mulher, Birkin, se mudou de lá por não conseguir transitar em um ambiente cheio de regras e com pouquíssima luz natural. Ela tinha direito de fazer o que bem quisesse apenas em um único quarto da casa. Depois ela virou nome de bolsa, mas  isso é uma outra história…  

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