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Mais um item da série “preciso muito”. Tudo que se relaciona com o universo do Tim Burton só pode gerar este desejo incontrolável de posse e acúmulo de brinquedos, filmes e livros. Mas este, especialmente, é sensacional. Ah, e vale lembrar que a exposição que está em cartaz no MOMA chega ao Brasil ainda este ano. 2010 promete!

Estou adorando o Ano da França no Brasil. Primeiro a exposição do Gainsboug no Sesc Paulista. Depois a exposição do Saint Laurent no CCBB do Rio (que infelizmente não virá para SP, alou CCBB!!!). Semana passada o delicioso show da Coralie Clemént no Sesc. E agora a exposição “Cuide de Você”, da artista plástica, performer e escritora francesa Sophie Calle, 55.
A obra, exibida na última Bienal de Veneza (2007), passou por Nova Iorque, Canadá, França e chega ao Brasil no próximo dia 11, no Sesc Pompéia, onde permanece até o dia 07.09. Tudo começou através de um rompimento. Sophie recebeu um email do seu amante, o escritor francês Grégoire Bouillier, 49, em que ele termina o relacionamento. Por email. Foi então que ela decidiu convidar 107 mulheres, entre famosas e anônimas, para criar sua própria interpretação para a carta. O resultado são vídeos, textos e fotos de personagens como Miss Kittin, Victoria Abril, Jeanne Moreau, Laurie Anderson, além de sua própria mãe. A própria mãe, veja bem.
A FLIP fará o favor de colocar os dois frente a frente no próximo dia 04, em Parati. Gregoire vem ao Brasil para lançar seu novo livro “O Convidado Surpresa” e participa de mesa “Entre Quatro Paredes” ao lado da ex. Será o primeiro encontro dos dois desde o rompimento. Ele conta, em entrevista a Folha, sua reação ao saber do resultado de um inofensivo email particular. A Revista Marie Claire também publicou longa conversa com o autor. Vale a pena entender a versão masculina de episódio.
Calle, por sua vez, vem ao Brasil lançar ”Histórias Reais”, que ganhei hoje de presente do marido.
Abaixo, a íntegra do email fatídico, publicado na Revista Marie Claire de junho:
“Há algum tempo, venho querendo lhe escrever e responder ao seu último email. Simultaneamente me pareceria melhor conversar com você e dizer o que tenho a dizer de viva voz. Mas pelo menos será por escrito.
Como você pôde ver, não tenho estado bem ultimamente. É como se não me reconhecesse na minha própria existência. Uma espécie de angústia terrível, contra a qual não posso fazer grande coisa, senão seguir adiante para tentar superá-la, como sempre fiz. Quando nos conhecemos, você impôs uma condição: não ser a “quarta”.
Mantive o meu compromisso: há meses deixei de ver as outras, não achando obviamente um meio de vê-las, sem fazer de você uma delas. Achei que isso bastasse; achei que amar você e o seu amor seriam suficientes para que a angústia que me faz sempre querer buscar outros horizontes e me impede de ser tranquilo e, sem dúvida, simplesmente feliz e ”generoso” se aquietasse com o seu contato e na certeza de que o amor que você tem por mim foi o mais benéfico para mim, o mais benéfico que jamais tive, você sabe disso.
Achei que a escrita seria um remédio, que meu desassossego se dissolveria nela para encontrar você. Mas não. Estou pior ainda; não tenho condições sequer de lhe explicar o estado em que me encontro. Então, esta semana, comecei a procurar as “outras”. E sei bem o que isso significa para mim e em que tipo de ciclo estou entrando. Jamais menti para você e não é agora que vou começar. Houve uma outra regra que você impôs no início de nossa história: no dia em que deixássemos de ser amantes, seria inconcebível para você me ver novamente. Você sabe que essa imposição me parece desastrosa, injusta (já que você ainda vê B., R., …) e compreensível (obviamente…); com isso, jamais poderia me tornar seu amigo. Mas hoje, você pode avaliar a importância da minha decisão, uma vez que estou disposto a me curvar diante da sua vontade, pois deixar de ver você, de falar com você, de apreender o seu olhar sobre as coisas e os seres e a doçura com a qual você me trata são coisas das quais sentirei uma saudade infinita. Aconteça o que acontecer saiba que nunca deixarei de amar você da maneira que sempre amei desde que nos conhecemos, e esse amor se estenderá em mim e, tenho certeza, jamais morrerá. Mas, hoje, seria a pior das farsas manter uma situação que você sabe tão bem quanto eu ter se tornado irremediável, mesmo com todo o amor que sentimos um pelo outro. E é justamente esse amor que me obriga a ser honesto com você mais uma vez, como última prova do que houve entre nós e permanecerá único.
Gostaria que tudo tivesse tomado um rumo diferente.
Cuide de você”






Miranda July é minha artista plástica preferida da semana. Minha escritora contemporânea preferida (da semana). E minha (quase) atriz preferida também. Suas palavras me acompanham em alguns dias difíceis. Gosto muito da forma espontânea com que ela se mostra e transforma situações constrangedoras em banais e cotidianas. Ela ficou mais conhecida no Brasil com o longa que roteirizou, dirigiu e atuou: ”Eu Você e Todos Nós”. Delicado, como quase tudo o que ela faz. O sucesso do filme fez com que a editora Agir traduzisse o livro “No One Belongs Here More Than You”, e o lançasse com o patético título ”É Claro que Você Sabe do Que Estou falando”. A promoção do original foi feita através de um site criado pela artista que usou o próprio fogão como lousa.
“Learnig To Love You More” é o nome do projeto feito em parceria com Harrel Fletcher. Encantador, o livro reúne a colaboração de anônimos que, guiados pelo site, mandavam mensagens, fotos e depoimentos respeitando as regras, que eram mais ou menos estas:
Acima você confere Miranda atuando no curta também dirigido por ela, ao lado de outros nomes, ”Are You The Favorite Person of Anybody?”, feito com apenas 150 dólares. Simples assim. E viva a inventividade.
