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Retomamos a seção Polar Tips, com os relatos sensoriais de viagens dos amigos, queridos e clientes Polar Studio. Segue um roteiro de viagem de uma das melhores fotógrafas que conheço, a *Carol Sachs, que nos enviou um relato delicioso acompanhado das belíssimas imagens abaixo. Enjoy it!

***

Em novembro do ano passado eu fiz um cruzeiro a trabalho pela Itália. Começava em Roma e terminava em Veneza, onde meu namorado morava temporariamente. Combinamos bem direitinho, sexta-feira as duas e meia da tarde ele me encontraria na estação de San Basílio onde o navio aporta, já com o carro alugado para subirmos a montanha no final de semana e matar as saudades de um mês sem se ver. O capitão do navio anunciou que a entrada em Veneza estava prevista para as duas, então lá pelo meio dia fui fazer um sauninha. De repente escuto no auto-falante “Agora estamos passando pelo Lido, uma das ilhas da lagoa de Veneza”, saí correndo tomar banho, vestiário lotado, desci pro quarto e, apressada, entre um corte de gilette e outro, escuto o capitão novamente “Agora nos aproximamos de San Marco, a praça mais importante da cidade”. Terminei o banho voando e, com uma mão na toalha e outra na câmera, consegui não pegar pneumonia e ainda fotografar a praça da varanda do quarto.

Fechei a mala, joguei qualquer pedaço de frango para dentro no almoço, mal me despedi dos companheiros de viagem e fui a primeira a descer do navio. Andei até a estação e… cadê o namorado? Eu estava um pouco adiantada, mas mesmo assim parei uma estranha e pedi o telefone emprestado: “Cadê vc?”, “Chegando em dois segundos!”. Logo depois, no telefone público “Cadê?” “Em San Basílio e vc?” “Tbém!!”. Quarenta minutos depois, frio e escuro e nada. Acontece que existem duas estações de vaporetto chamadas San Basílio, as duas onde aportam navios, em lugares diferentes. Seriam perto se Veneza não fosse a confusão de mini ruas, sopportegos e pontes que é, se existisse uma única linha reta. Mas não existe e levou tudo isso e ele finalmente chegou, sem carro. O Fiat 500 alugado especialmente para mim tinha virado um Panda de acordo com as micro-letras do contrato. Namorado bateu o pé, mas só conseguiram o 500 depois. Pegamos o trem até Mestre, o 500, um mapa, um sanduíche de prosciutto crudo (meu mais preferido ever) e fomos.

O destino era um agriturismo perto do parque nacional das Dolomitas. Agriturismo são acomodações em casas de fazenda da região, tem muito nessa parte da Itália. Claro que a gente se perdeu, andou em círculos loucamente e uma hora depois se viu de volta em Veneza, desejando não gostar tanto de mapas a ponto de não alugar GPS.

Eu sei, parece uma viagem dos infernos, ou pior(!!), uma viagem clichê dos infernos, dessas de filme onde tudo dá errado, bem do tipo que eu odeio. Mas em algum momento, depois de uma tentativa frustrada de falar inglês ou italiano no telefone com a dona do lugar, a gente chegou. Numa casa enorme, toda de pedra, com a maior mesa de jantar que eu já vi na vida, uma sala grande com sofás delícia e a lareira acesa, banheiro quentinho com calefação, cama grande e uma moça fofa esperando a gente. Fomos jantar num restaurantinho local super simples, mas barato e gostoso. Duro só foi a grappa no final, que um amigo italiano chamaria de diesel, não de grappa.

No caminho de volta, comentamos como parecia especial aquela casa e que dava muita vontade de voltar todo ano e de mandar todos os amigos para lá. Foi qndo lembrei do email da querida Denise, me pedindo para escrever algo sobre as minhas viagens. Só podia ser sobre isso, um lugar que acaba com qualquer mau humor instantaneamente e deixa um quentinho no coração.

Tem muito mais sobre esse final de semana, como a quebra do 500 na beira da estrada e comidas incríveis com trufas brancas, mas isso fica para uma próxima. Por enquanto deixo as fotos do agriturismo e um pequeno teaser do que são as Dolomitas no outono: uma das paisagens mais lindas que meus olhos já viram.

E lá vai a info então:

Azienda Agrícola Gesiol (http://www.gesiol.it/ – as fotos não fazem muito jus ao lugar, mas sim, a roupa de cama é feia mesmo e sim, tem um pinico no quarto, hihi).

Dá para reservar por aqui: http://www.parks.it/agr/gesiol/Eindex.php

Mas atenção que não é hotel, funciona assim: metade da casa é dos donos, metade dos hóspedes, fica bem separadinho e eles só usam a parte deles. Todo dia no café ela vem ver se está tudo bem, se você precisa de alguma coisa e depois te deixa em paz, tipo simpática sem ser invasiva. O café em si é simples, mas eu mesma não preciso mais que isso: pão fresco, presunto e queijo ou salame, manteiga e geléia, alguma coisa doce que varia todo dia entre tortas caseiras e pães doces, leite, iogurte, café e chá. Tem uma mini cozinha que você pode usar para fazer outra coisa se quiser. Uma boa pode ser comprar uns quitutes na verdade, já que eles só servem café da manhã e de resto você tem que comer fora e não é perto.

Quartos: no primeiro andar tem dois, um deles o que eu fiquei. No segundo tem mais que eu não vi. O banheiro é dividido entre os quartos, mas na época que a gente foi só estava a gente lá, então foi tranquilo. De qualquer forma o chuveiro é bom e é tudo super novo e limpinho, eles devem ter renovado recentemente. E custa €70 a noite para duas pessoas.

Atenção número dois: tem que ir de carro!!! Tem uma cidadezinha mais fofa que a outra na região, você nem chega na acomodação de outra maneira (afinal, é uma fazenda agrícola) e o melhor é dirigir pelas estradas das montanhas e ir jantar cada dia numa vila diferente.

*Carol Sachs é uma fotógrafa brasileira que adora rodar o mundo e colecionar belas imagens. Saiba mais sobre seu trabalho em:www.carolsachs.com


A vizinhança da Mateus Grou, onde estamos, é muito feliz. Por isso,entre outras razões, é que escolhemos este local para trabalhar e produzir coisas bacanas nas quais acreditamos. A Polar se dá ao luxo de só trabalhar com o que/quem gosta. Não aceitamos trabalho que não seja bacana, doce, genial e enlouquecedor. Uma loucura boa é sempre estimulante.
Alguns dos nossos vizinhos compartilham desta mesma verve autoral, digamos assim. Um deles se tornou o quintal da Polar. Trata-se do restaurante Chou. Com apenas dois anos, o Chou se instalou em um dos vários sobrados da rua, onde viveu durante algum tempo a chef Gabriela Barretto. A intimidade com o lugar é tamanha que ela o transformou em seu restaurante. O lugar onde meu dia termina e minha noite começa. Pequeno, seleto, delicado e com comidinhas deliciosas no cardápio, o Chou é perfeito para degustar pequenas surpresas. Sentar no jardim, em meio as churrasqueiras acesas que aquecem o ambiente é se teletransportar para a infância na casa da avó, com a melhor confort food do mundo. O atendimento é bem bacana e as pessoas que trabalham ali gostam de contar a história do lugar. Fazem o seu trabalho felizes. Como todos deveriam fazer, aliás.
A trilha sonora é uma das melhores feitas para um restaurante na cidade de São Paulo. Com Billie Holiday e quetais. O pequeno sobrado abre apenas para o jantar, de terça à sábado.
Chou
Rua Mateus Grou, 345 . Pinheiros
www.chou.com.br

Comercial da tv francesa feito pelo designer incrível Yoann Lemoine.

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Existem muitas maneiras de contar histórias. Com muitas ou poucas palavras. Com gestos, roupas, arte, sorrisos e até com lágrimas, com silêncios, holofotes e também alguma sombra. Todos os dias os jornais nos trazem novas histórias. As minhas preferidas (de hoje) são as contadas pelo NYT no Projeto “One in 8 Million”. Ali, não existem palavras impressas. Apenas áudio e lindas imagens. São fragmentos da vida de pessoas comuns, como eu ou você, captadas por olhares sensíveis.  Ainda bem que em algum lugar os profissionais da pressa, (aka imprensa), se permitem um tempo a mais para observar o outro.

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